Aprenda passo a passo como transformar um Raspberry Pi Pico em uma chave física compatível com FIDO2 e utilizar o dispositivo para proteger suas contas.
Carlos Valente, em Agosto 28, 2026 | 124 visualizações | Tempo de leitura: 7 min - 1310 palavras.
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No primeiro artigo desta série, YubiKey: como uma chave física pode proteger suas contas mesmo se sua senha for roubada, vimos como as chaves físicas de segurança aumentam a proteção das contas e dificultam ataques de phishing. Agora chegou a hora de colocar o conceito em prática.
Neste tutorial, vamos transformar um Raspberry Pi Pico em uma chave de autenticação FIDO2. Chamaremos o projeto de YubiKey caseira apenas como comparação didática. O dispositivo não se transforma em uma YubiKey verdadeira e não possui necessariamente todas as proteções de hardware, certificações e recursos de um produto comercial.
O Raspberry Pi Pico é uma pequena placa baseada no microcontrolador RP2040. Embora seja muito utilizada em projetos de eletrônica e automação, ela também pode executar um firmware específico que faz o computador reconhecê-la como uma chave de segurança USB.
Para este projeto vamos utilizar o Pico FIDO, um firmware de código aberto compatível com FIDO2, WebAuthn e U2F. Na prática, isso permite cadastrar o Pico como chave física em serviços que oferecem esse tipo de autenticação.
O objetivo não é fabricar uma YubiKey verdadeira, mas criar um autenticador físico funcional e entender como essa tecnologia trabalha.
Uma pequena caixa protetora é opcional, mas pode ser interessante caso você pretenda transportar o dispositivo.
Acesse a página oficial de releases do projeto Pico FIDO no GitHub:
Na página, procure a versão mais recente e escolha o arquivo UF2 correspondente ao Raspberry Pi Pico com RP2040. Tome cuidado para não baixar uma versão destinada ao Pico 2, ESP32 ou outra placa.
O arquivo UF2 contém o firmware preparado para ser gravado diretamente no microcontrolador.
Desconecte o Raspberry Pi Pico do computador.
Pressione o botão BOOTSEL da placa e mantenha-o pressionado. Sem soltar o botão, conecte o cabo USB ao computador.
Depois que o dispositivo aparecer no sistema, solte o botão.
Uma nova unidade USB chamada RPI-RP2 deverá aparecer. Isso significa que o Pico está pronto para receber o firmware.
Localize o arquivo UF2 que você baixou e copie-o para a unidade RPI-RP2.
Não é necessário executar instaladores ou digitar comandos.
Após a cópia, a unidade USB desaparece automaticamente. O Pico reinicia e passa a executar o firmware de autenticação.
A partir desse momento, ele deixa de aparecer como uma unidade de armazenamento comum e passa a se apresentar ao sistema como um dispositivo de segurança compatível.
Antes de cadastrar sua nova chave no seu e-mail principal, conta corporativa ou qualquer serviço importante, é recomendável confirmar se o Raspberry Pi Pico está funcionando corretamente como autenticador.
Para isso, podemos utilizar o WebAuthn.io, um ambiente de demonstração criado especificamente para testar autenticação WebAuthn e passkeys sem colocar uma conta importante em risco.
No site, utilize um nome de usuário de teste e faça primeiro o processo de registro da chave. Quando o navegador solicitar um autenticador, escolha a opção relacionada a uma chave de segurança USB e mantenha o Raspberry Pi Pico conectado.
Depois que o registro for concluído, utilize a opção de autenticação do próprio site para verificar se o Pico consegue responder corretamente à solicitação.
Se o registro e a autenticação funcionarem, você terá uma boa indicação de que o firmware foi instalado corretamente e que o dispositivo está funcionando como um autenticador compatível com WebAuthn.
Faça esse teste antes de cadastrar o Pico em seu e-mail principal, conta Microsoft, GitHub ou qualquer serviço que seja importante para você.
O nome dos menus varia entre os serviços, mas normalmente a opção fica em Segurança, Autenticação em duas etapas, Passkeys ou Chaves de segurança.
Escolha a opção para adicionar uma chave física, mantenha o Pico conectado e siga as instruções exibidas pelo navegador.
O serviço criará uma credencial associada à sua conta e ao autenticador. Nos próximos acessos, a chave poderá ser solicitada como parte do processo de autenticação.
Este talvez seja o passo mais importante de todo o tutorial.
Nunca transforme uma única chave física no único meio de recuperação de uma conta importante.
Mantenha outro método 2FA, códigos de recuperação ou, preferencialmente, uma segunda chave física guardada em local seguro.
Se o Pico apresentar defeito, for perdido ou precisar ser reprogramado, você ainda deverá possuir uma forma alternativa de recuperar sua conta.
Não. A comparação facilita a compreensão do projeto, mas existem diferenças importantes.
O Raspberry Pi Pico original utiliza o RP2040. Embora seja excelente para aprendizado, esse microcontrolador não oferece o mesmo nível de proteção de hardware contra extração física de dados da memória encontrado em soluções desenvolvidas especificamente para segurança.
Uma YubiKey comercial também possui projeto próprio de hardware e firmware e, conforme o modelo, certificações e recursos adicionais.
Por esse motivo, nossa YubiKey caseira deve ser encarada principalmente como projeto educacional, laboratório e uma maneira acessível de experimentar FIDO2 na prática.
Sim, principalmente para quem deseja entender como uma chave física funciona.
Com uma placa pequena e o firmware adequado, conseguimos criar um autenticador reconhecido por navegadores e serviços compatíveis com FIDO2 e WebAuthn.
O projeto também demonstra algo importante: a autenticação moderna não precisa depender apenas de senhas e códigos enviados ao celular.
Ao longo dos dois artigos desta série, saímos do conceito para a prática. Primeiro entendemos por que uma chave física adiciona uma camada importante de segurança. Agora vimos como um Raspberry Pi Pico pode assumir o papel de um autenticador FIDO2 experimental.
O resultado não substitui uma YubiKey comercial em situações nas quais segurança física, confiabilidade e certificação são requisitos importantes. Para aprendizado, testes e laboratório, porém, o projeto é uma excelente forma de conhecer a tecnologia por trás das chaves de segurança.
Se decidir utilizar o projeto em contas reais, faça isso com cautela, mantenha métodos de recuperação configurados e nunca dependa de uma única chave para acessar informações importantes.
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Nota: Todas as imagens utilizadas neste artigo foram geradas com o auxílio de inteligência artificial por meio do ChatGPT 5.6 e Nano Banana 2, com o objetivo de ilustrar o conteúdo de forma didática e acessível aos nossos leitores.