Entenda como o primeiro smartphone tri dobrável da Samsung enfrenta a pressão das marcas chinesas
Carlos Valente, em Dezembro 03, 2025 | 281 visualizações | Tempo de leitura: 5 min - 965 palavras.
A Samsung foi uma das primeiras fabricantes a acreditar em celulares com tela dobrável e, agora, deu mais um passo com o lançamento do Galaxy Z TriFold. Trata se do primeiro smartphone tri dobrável da marca, pensado para abrir em uma tela grande, parecida com a de um tablet, mas continuar cabendo no bolso quando está fechado.
Ao mesmo tempo, a empresa enfrenta cada vez mais concorrência. Marcas chinesas, como Huawei e Honor, já lançaram seus próprios modelos avançados e disputam espaço tanto em preço quanto em inovação. Por isso, o TriFold chega como um tipo de laboratório nas mãos do consumidor, testando novas ideias de design, resistência e software.
O Galaxy Z TriFold é um celular que usa duas dobradiças internas, formando três partes de tela. Quando aberto, ele se transforma em um display de aproximadamente 10 polegadas, com resolução de 2160 x 1584 pixels. Para comparação, ele fica um pouco menor que um iPad de 11 polegadas, mas com a vantagem de ser dobrado e guardado em qualquer bolso ou pequena bolsa.
Quando está fechado, o aparelho mede cerca de 12,9 milímetros de espessura, ou seja, quase meio centímetro. É um pouco mais grosso que um celular tradicional, mas é esperado em um dispositivo com três painéis de tela e dobradiças internas.
Um dos pontos mais interessantes é a possibilidade de usar a tela gigante de forma produtiva. O TriFold consegue rodar até três aplicativos ao mesmo tempo, em colunas verticais lado a lado. Assim, você pode, por exemplo, deixar um vídeo aberto, uma conversa de mensagens e um editor de texto tudo junto, sem ficar alternando o tempo todo entre as janelas.
Além disso, o aparelho oferece um modo parecido com um desktop, em que a interface se organiza de forma semelhante a um computador, com janelas e área de trabalho. Isso é útil para quem trabalha com planilhas, apresentações, documentos e precisa de mais área útil de tela.
O Galaxy Z TriFold chega em uma configuração única, com 16 GB de memória RAM e 512 GB de armazenamento interno. Em linguagem simples, isso significa bastante espaço para aplicativos, fotos e vídeos, além de muita memória para rodar vários apps ao mesmo tempo sem travar com facilidade.
Segundo a Samsung, o TriFold traz a maior bateria entre os dobráveis da marca. Ele também suporta carregamento super rápido, capaz de chegar a aproximadamente 50 por cento da carga em cerca de 30 minutos, o que é importante para um aparelho tão avançado e com tela grande.
Assim como outros dobráveis recentes da marca, o TriFold é classificado como IP48. Na prática, isso quer dizer que ele suporta água em até 1,5 metro de profundidade por até 30 minutos, mas conta com proteção limitada contra poeira. Ou seja, ele aguenta respingos e um possível acidente na água, mas não foi feito para ambientes com muita areia ou partículas finas.
A própria Samsung explica que este modelo tem um papel de projeto piloto. A ideia é usar o Galaxy Z TriFold para testar na vida real pontos como durabilidade das dobradiças, resistência da tela flexível, desempenho do software em múltiplos painéis e a aceitação do público. A produção será limitada, ou seja, não é um aparelho para grandes volumes de venda, mas sim para mostrar tecnologia e coletar feedback.
Enquanto a Samsung testa o TriFold, marcas chinesas seguem avançando. A Huawei, por exemplo, já anunciou sua segunda geração de celular tri dobrável para o mercado chinês, também com formato de múltiplas dobras. A Honor, que nasceu como uma submarca da Huawei, vem expandindo seus dobráveis para mais países, com foco em preço competitivo e aparelhos mais finos.
Ao mesmo tempo, muitos analistas esperam a entrada da Apple no segmento de dobráveis por volta de 2026. Caso isso se confirme, a disputa deve crescer ainda mais. Com o Galaxy Z TriFold, a Samsung tenta reforçar sua posição como referência em telas flexíveis antes de uma possível chegada do iPhone dobrável.
Em um mercado que ainda é pequeno, mas muito estratégico, o Galaxy Z TriFold mostra que a Samsung prefere experimentar primeiro, mesmo com um produto de nicho, para se preparar para a próxima grande fase dos smartphones.
O Galaxy Z TriFold não é um celular pensado para todo mundo, especialmente por causa do preço elevado e da proposta mais experimental. Ainda assim, ele indica com clareza para onde a indústria quer caminhar nos próximos anos, unindo portabilidade, produtividade e telas flexíveis em um único dispositivo.
Para quem acompanha tecnologia, esse tipo de lançamento ajuda a entender quais soluções devem, mais tarde, chegar a modelos mais acessíveis. Mesmo que você não vá comprar um tri dobrável agora, é bem provável que muitas das ideias testadas nele apareçam em futuros smartphones e tablets.